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Endometriose

Dra. Bianca Hillmann
Médica ginecologista e obstetra
CRM-SC 20037 · RQE 14526

Outubro de 2026 · 9 min de leitura

Ilustração anatômica do abdome feminino com focos de endometriose espalhados pelos órgãos da pelve e pelo intestino

O que é endometriose?

Endometriose é a presença de tecido endometrial fora da cavidade do útero. O endométrio é a camada mais interna do útero, que descama todos os meses durante a menstruação. Mulheres que têm endometriose apresentam esse mesmo tipo de tecido/células em outros locais, como bexiga, intestino, ovários, parede externa do útero, cicatriz de cesariana, umbigo...

Até hoje, não temos certeza de como essas células vão parar nesses locais, mas alguns possíveis mecanismos são:

  • Menstruação retrógrada: é o refluxo do sangue da menstruação através das trompas. Talvez algumas dessas células endometriais descamadas consigam se implantar no peritônio (tecido que recobre as vísceras) e gerar endometriose.
  • Iatrogenia: é a transferência involuntária de células do endométrio pelo médico durante algum procedimento. O mais comum é a contaminação da luva do obstetra durante a cesariana. Ao colocar a mão dentro do útero para retirar o bebê, ele pode acabar carregando algumas células do endométrio e deixando-as na parede abdominal, na cicatriz da cesariana.
  • Metaplasia celômica: o peritônio (tecido que recobre nossas vísceras) e o endométrio têm a mesma origem embrionária. Talvez alguma célula do peritônio possa sofrer metaplasia (se transformar) em uma célula semelhante à do endométrio quando sofre algum estímulo hormonal ou inflamatório.
  • Teoria da disseminação linfática ou hematogênica: pedaços de endométrio poderiam se espalhar pelo corpo através da corrente sanguínea ou linfática, como se fossem trombos, e se implantar em locais distantes da pelve.

Tem outras dúvidas sobre endometriose? Agende uma consulta comigo.

Quais os sintomas da endometriose?

Ilustração de mulher sentada na cama com as mãos na barriga, com cólica, cercada por ícones de calendário menstrual, intestino e bexiga

O sintoma mais comum em quem tem endometriose é a cólica menstrual. Costuma ser uma cólica muito forte e que piora com o passar dos meses e anos. Geralmente forte o suficiente para fazer com que a mulher deixe de fazer suas atividades do dia a dia como estudar ou trabalhar.

Outro sintoma muito comum da endometriose é a dor no fundo da vagina durante a relação sexual. Esta dor é pior no período menstrual, mas pode ocorrer em qualquer fase do ciclo.

Dor ao evacuar e fisgadas no ânus no período menstrual, diarreia no período menstrual, distensão abdominal e má-digestão também podem ser sintomas de endometriose (principalmente nos casos de endometriose intestinal).

Outros sintomas não tão comuns da endometriose são:

  • Ardência e urgência para urinar como de uma cistite, mas com exame de urina normal e que melhoram com o término da menstruação mesmo sem usar antibiótico;
  • Dor, inchaço e sangramento no umbigo ou na cicatriz de cesariana durante a menstruação;
  • Dor no ombro durante a menstruação (indicativo de endometriose no diafragma).

Muitas pacientes não apresentam nenhum desses sintomas e só descobre a endometriose quando tenta engravidar e não consegue, pois, uma das consequências da doença pode ser a infertilidade.

Adolescentes podem ter endometriose?

Ilustração de adolescente estudando na escrivaninha com a mão na barriga, sentindo cólica

Sim!! A endometriose não é doença somente da mulher adulta! Muitas mulheres que são diagnosticadas com endometriose referem ter sofrido com cólicas incapacitantes desde a primeira menstruação.

A doença tende a piorar com o passar dos anos, mas não existe idade mínima para que ela comece a dar sintomas e possa ser investigada e tratada.

Os exames de investigação e o tratamento podem ser um pouco diferentes nesta faixa etária mas não devem ser postergados.

Se você ou alguma adolescente que convive com você sofre com cólicas menstruais fortes ou dores pélvicas, procure ajuda de um ginecologista!

Endometriose causa infertilidade?

A endometriose pode dificultar uma gravidez por vários motivos:

  • Pode haver obstrução das trompas por causa das lesões de endometriose e das aderências causadas pela doença;
  • Os ovários podem ter a sua função afetada devido a presença de endometriomas (cistos de endometriose no ovário);
  • O processo inflamatório causado pela endometriose pode impedir a fecundação e a implantação do embrião no útero;
  • A dor na relação causada pela endometriose pode impedir a mulher de ter relação e por isso não conseguir engravidar;
  • O tratamento da endometriose com frequência é feito com o uso de medicamentos que impedem a gravidez como os anticoncepcionais e bloqueadores hormonais.

Mas isso não quer dizer que toda mulher com endometriose vai ser infértil. Pelo contrário, a maioria das mulheres que tem a doença consegue engravidar sem dificuldades.

Se você tem endometriose e está tendo dificuldade para engravidar, entre em contato e agende uma consulta.

Tenho endometriose. Preciso parar de menstruar?

Mulheres que têm endometriose costumam ter piora dos sintomas durante a menstruação e, por isso, se beneficiam da suspensão da menstruação. Além disso, é durante a menstruação que as células da endometriose crescem e se multiplicam. Então, existe a possibilidade de que suspender a menstruação diminua a progressão da doença (a ciência ainda não tem certeza dessa informação).

Isso muda nas mulheres que estão querendo engravidar, pois os métodos de suspensão da menstruação impedem a gravidez. Portanto, durante o período de tentativas, a paciente vai ter que voltar a menstruar e pode usar medicações como analgésicos, antiespasmódicos e anti-inflamatórios para o controle das dores durante o ciclo.

Agora, atenção para uma diferença importante: sangrar nem sempre é sinônimo de menstruar. Mulheres que usam progesterona isolada, como as pílulas de desogestrel ou drospirenona, o Implanon, o DIU Mirena e a injeção trimestral, podem ter sangramentos frequentes e irregulares. Esses sangramentos, porém, são causados por atrofia endometrial, e não por proliferação endometrial. Portanto, não vão causar o aumento da endometriose e, geralmente, não vêm acompanhados das dores da endometriose.

Essa atrofia endometrial pode causar sangramentos por causa da exposição dos vasos que ficam por baixo do endométrio. Esses vasos podem se romper e sangrar esporadicamente por causa de algum trauma (relação sexual, atividade física...), aumento da pressão arterial, estresse...

Como tratar endometriose?

Ilustração com quatro opções de tratamento da endometriose: atividade física, alimentação saudável, anticoncepcionais e DIU, e cirurgia

A endometriose não tem cura, mas dispomos de várias opções de tratamento.

Hábitos de vida saudáveis como a prática regular de atividade física e alimentação saudável podem reduzir o processo inflamatório causado pela doença e melhorar muito os sintomas.

Nas mulheres sem intenção de engravidar, o uso de contraceptivos hormonais é indicado e costuma aliviar as cólicas, os sintomas intestinais, a dor na relação e o fluxo excessivo. Além disso, os anticoncepcionais podem reduzir a progressão da doença e até reduzir o tamanho dos focos já existentes, mas nunca vão conseguir exterminar a doença.

Os anticoncepcionais podem ser de progesterona isolada como as pílulas, injeção trimestral, implante e DIU hormonal, ou combinados de estrogênio e progesterona como as pílulas combinadas, injeção mensal, adesivo e anel vaginal.

O ideal é que sejam utilizados de forma contínua e, se possível, que a paciente fique sem menstruar para ter melhor controle dos sintomas.

Nas pacientes que não têm bom controle dos sintomas com o uso de anticoncepcionais, nas que estão tentando engravidar e naquelas com doença muito avançada está indicado o tratamento cirúrgico da endometriose com retirada dos focos.

Quando operar endometriose?

Nem toda mulher com endometriose precisa de cirurgia. Muitas vão ter bom controle dos seus sintomas com melhora dos hábitos de vida e com o uso de anticoncepcionais.

A cirurgia vai ser indicada nas seguintes situações:

  • Pacientes que não têm bom controle dos sintomas com o uso de anticoncepcionais.
  • Pacientes que não podem usar ou não toleram o uso de contraceptivos hormonais. É o caso por exemplo das mulheres com câncer de mama e das que têm efeitos colaterais importantes com o uso de hormônios.
  • Pacientes com endometriose profunda grave, ou seja, que invade estruturas nobres como o intestino, a bexiga, os ureteres e os nervos da pelve.
  • Mulheres que estão tentando engravidar e não estão conseguindo por causa da endometriose.

Quer entender se o caso é cirúrgico? Agende uma avaliação.

Como é a cirurgia da endometriose?

A cirurgia para endometriose deve ser realizada preferencialmente por via robótica e, se não for possível, por videolaparoscopia. A cirurgia aberta deve ser evitada em casos de endometriose pois a visão a olho nu não é adequada à remoção dos pequenos focos de doença.

As cirurgias minimamente invasivas (vídeo e robótica) são realizadas através de pequenos orifícios no abdome da paciente (de até 1cm) pelos quais entrarão pequenos instrumentos cirúrgicos como pinças e tesouras que serão utilizados para remover os focos de doença.

Caso os focos de endometriose estejam invadindo a parede de órgãos como intestino, bexiga e ureteres pode ser necessária a remoção de parte de tais órgãos.

As cirurgias para endometriose são realizadas sob anestesia geral e a paciente fica internada em média por 24h.

Após a cirurgia a paciente deverá ficar em repouso relativo por 2 semanas (sem dirigir, subir escadas, agachar...) e deverá permanecer no mínimo 30 dias sem atividade física e relação sexual.

Dependendo da cirurgia podem ser necessários o uso de sonda vesical (quando há lesão na bexiga) ou de drenos (quando há lesão intestinal).

Tem outras dúvidas? Agende uma avaliação.

Precisa usar bolsinha de colostomia depois da cirurgia da endometriose?

Não! Nos casos de cirurgia por doenças benignas como a endometriose, a colostomia ou ileostomia não são usadas de forma rotineira ou preventiva. São utilizadas apenas em casos raros de complicações.

A complicação que indicaria a realização de uma ostomia é a fístula / abertura do grampeamento que ocorre quando retiramos uma porção do intestino e a cicatrização não ocorre de forma adequada.

Caso você tenha dúvidas ou inseguranças sobre a cirurgia de endometriose, agende uma consulta.

Endometriose cura com a menopausa?

Não. A endometriose não vai deixar de existir após a menopausa. Os focos continuam existindo, mas tendem a reduzir de tamanho e, principalmente, reduzir seus sintomas após a menopausa.

Isto acontece porque, quando entramos na menopausa, diminuímos nossa produção de estrogênio, e a maioria dos focos de endometriose tem receptores para estrogênio e prolifera em resposta a este hormônio. Assim, com a diminuição do estrogênio, diminui a atividade do foco.

A fibrose e as aderências causadas pela doença vão continuar existindo e por isso muitas mulheres mantém os sintomas mesmo após a menopausa.

Há também alguns casos em que os focos de endometriose possuem poucos receptores hormonais e crescem mesmo após a menopausa.

O uso de reposição hormonal também pode interferir na endometriose pois vai manter os focos em atividade.

Por isso, não deixe de tratar a endometriose por estar perto da menopausa. Ela pode não trazer o alívio que você tanto espera!

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Médica ginecologista em Florianópolis

Dra. Bianca R. Hillmann

CRM-SC 20037 | RQE 14526

Realizei minha formação em Medicina, residência em Ginecologia e Obstetrícia e mestrado na UFSC, instituição na qual fui professora titular por 3 anos. Atualmente, atendo pacientes na minha clínica e realizo cirurgias ginecológicas minimamente invasivas, incluindo laparoscopia, cirurgia robótica e via vaginal, sempre priorizando segurança, conforto e bem-estar.

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Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.